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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

MINHA PRIMEIRA VIAGEM INTERNACIONAL, GUAYARAMERIN - BOLÍVIA!

Meu pai que gosta muito de passear, me perguntou se eu nunca tido ido à Bolívia desde que me mudei para cá no início dos anos 90. Respondi que ainda não tinha tido a oportunidade, mas se ele me acompanhasse nós iríamos sim. Então ele me falou que gostaria muito de ir. Então eu disse: - Agora! Bora? Essa viagem é a melhor de todas possível, sem malas, sem preocupação, sem dinheiro, sem nada. Para quê dinheiro? Pensava eu! O que eu poderia comprar lá na Bolívia?
Pegamos um ônibus de excursão, esses de sacoleiros. A viagem dura mais ou menos 12h, dependendo do valor da passagem, dá para se ter uma idéia do tipo de ônibus que era.

Haviam passagens com valor de todos  os preços, de  R$400,00 ida e volta, em carro novo, com condicionador de ar, café, água gelada, wc, saquinhos para se colocar o lixo, porta-copos, bancos leito, direto, incluindo lanches e refeições.

Mas tinha também um por R$40,00 ida e volta, com ar (se alguém conseguisse abrir as janelas, não sei porque os ônibus, digamos, "com mais experiência", mais "rodado" tipo 1 milhão na quilometragem, se negam em deixar seus magistrais vitrôs abrirem), café (até que tinha, mas era um ou outro passageiro que levava em suas garrafas térmicas, bebiam em copos de alumínio amassados, sendo que uns desses passageiros me ofereciam café, mas eu lá sou louco de encostar minha boca na baba dos outros? Eu hein? Que nojo!

Meu pai que não sente mais nojo de nada, está com 90 anos, bebia e ainda repetia, me olhando e dizendo: - Que café bom! Quer um pouquinho Helinho? Sim! Era assim mesmo que ele me chamava e ainda me chama - Helinho - tenho mais de 1,85m, peso mais de 125 kg, estou com quase 50 anos, e ele ainda não me viu crescer, na sua cabeça sou um bebê, uma criança indefesa, largada a própria sorte, tadinho!!), água também tinha, mas não era gelada (sinceramente acho que nem água era, pois tinha o aspecto de ser meio saloba, se meu pai soubesse, tinha levado a cuia,  a bomba e o mate, para tomar chimarrão, que aliás, mesmo sendo gaúcho, nunca gostei de matear.

Imaginem vocês passar a bomba de boca em boca, tomando a baba dos outros, que noojooo! Uns mais malucos, dizem: - Não te impressiona vivente, a água fervendo mata até os germes! Isso mesmo água fervente!  Olha, não é por nada, mas não consigo acreditar no que vejo, tradição é tradição, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, pode-se se ver  na beira das praias gaúchas, nessa época do ano, que é verão por lá - estou em Rondônia - aquela gauchada toda bebendo chimarrão com água quente, em baixo de um sol que produz um calor perto da casa dos 40 graus, e dizem que isso refresca! Eu prefiro um refri, uma água de côco. Parece-me que há estudos que indicam que lá no Sul, há muito mais incidência do câncer no esôfago do que em qualquer outro lugar do mundo), wc tinha também (mas vou falar a verdade meu amigo, é melhor que você nunca precise de usá-lo, tem horas que era melhor a gente ser mulher, pois mijar em pé, tem suas vantagens e também suas desvantagens!


A vantagem é que é só abrir o zíper, tirar a água do joelho, que nenhuma mulher, por mais inteligente que seja, sabe o quer dizer isso, guardar o bonitão, fechar o zíper e retornar para o assento. Tive o desprazer de ter que usar aquele banheiro. Para começo de conversa, o trinco de fora ficou na minha mão quando abri a porta, eu entrei e me fechei por dentro com o trinco ainda na minha mão, logo vi a burrice que tinha cometido, quando tentei tornar a abrir a porta, a chave não funcionava, dava voltas e mais voltas e não abria nada. Bem, primeiro vou fazer o serviço que vim fazer, depois eu me viro com essa porta, pensei!

Olhei para o chão, era mijo por todo o lado, até parecia que o chão tinha sido vítima dessas chuvas que assolam Minas Gerais e o Rio de Janeiro. Tinha mais ou menos, assim, tirando pelo olho, a grossura de um dedo e meio de mijo no chão. Não havia papel naquele banheiro, aliás nem a lixeira fechava, havia ali jornal, papelão, bula de remédio, latinha de cerveja, até fralda de criança com a bosta voltada para fora o que produzia um odor tão fétido, que até o peido tinha um cheiro de perfume. Dentro do vaso propriamente dito, alguém tinha feito um aborto, pensava eu, olha, era uma coisa escomunal, parecia um feto humano, mas era tudo um montão de merda, muita merda. Outra coisa que eu não entendo é por que motivo que as pessoas comem em casa e vem fazer bosta no banheiro do  ônibus, quando o ônibus pára em algum lugar, em vez de descer e ir no banheiro daquele lugar,  eles vão é no banheiro do ônibus, até parece que irão pagar menos, diminuido o seu peso! Então dei a descarga, outra burrice, pois se aquele monte de bosta não era meu, o que eu tinha que me meter! Não sei como, mas aconteceu de que o esguicho estava com problemas e era forte, muito forte, fazendo com que a água batesse naquela montanha de bosta e respingasse de volta em mim. Então aquele feto parecia ir embora descendo aos poucos, quase que se despedindo de mim, me dando adeus e foi embora! A tampa, a borda do assento, estava tudo cagado, e com os solavancos do ônibus quase que se batia nela, por isso é que tinha que mijar  a uma distância de segurança e isso explicava aquele mijo todo no chão! Feito o trabalho era hora de sair. Comecei a bater na porta. Era no meio da madrugada, umas 04h da manhã, a maioria dos passageiros eram de idade mais avançada.
Felizmente havia entre os passageiros, uma mulher bem magrinha, uma empresária recalcada, com raiva de tudo e de todos, e que teria tentado acordar alguém para me auxiliar, como não obteve êxito, ela não pensou duas vezes, arrancou um braço do banco de passageiro, não sei como, e usou-o como um pé-de-cabra até que conseguiu abrir a porta.  Antes de eu agradecer,  ela já tinha ido para sua poltrona, parece que ficou incomodada pelas minhas batidas na porta do banheiro pelo lado de dentro), tinha saquinhos também (sim, mas eram saquinhos espalhados pelo chão, de balas, de pipoca, de preservativos, isso mesmo, preservativos!

Vocês não sabem do que as pessoas são capazes de fazer em plena viagem! A acho que tinha saquinhos até de maconha, mas como nunca fumei isso, não posso precisar se era mesmo ou não), porta-copos tinha (o que não tinham eram os copos), os bancos não eram leitos (e muito menos reclináveis, só tinha duas posições, ou sentado, aquele quase em pé, na vertical, e o bem deitado, horizontal, pois estava quebrado e não ficava de jeito nenhum na posição vertical. O ruim era que o meu banco e o de trás de mim, estavam trancados na posição vertical, e o banco da minha frente era um desses estragados que ficavam deitados na posição horizontal. Eu estava me sentindo em uma lata de sardinhas espremido entre esses dois bancos, que por sinal,  o da frente, que estava quase no meu colo, tinha duas crianças acho que de uns cinco ou seis anos, dois meninos, que se encarnaram em mim, me jogando tudo o que você pode imaginar, até cuspiam em mim, eu fazia careta para eles mostrando como eu queria poder esganá-los, e eles davam risadas, enquanto sua mãe dormia no banco ao lado deles.  Por que as mães desses verdadeiros "terroristas de fraldas" nunca tomam providências?), o nosso ônibus era indireto (tinha o direto, o semi-direto, e creio que pelo número de paradas que ele fez, era do tipo indireto, entrava em todas as rodoviárias oficiais, e em algumas oportunidades parecia procurar alguma rodoviária, lá pelo lado de Jaci-Paraná/RO, Extrema/RO), lanches e refeições era única coisa que não prometiam (aliás ofereciam sim, uma bala de banana).

Então chegamos lá em Guajará-Mirim/RO no lado ainda de Rondônia, pegamos uma chalana e atravessamos o rio que divide o Brasil da Bolívia, e chegamos em solo boliviano, em Guayaramerin, é claro que pisei lá com o meu pé direito. 

Pegamos uma motocicleta-taxi e descemos nas últimas lojas de lá, voltamos a pé, para conhecer tudo! Tem muitas lojas lá de produtos importados, é uma Zona Franca, onde os produtos são bem baratos, tem até eletrônicos, computadores, etc.


Claro que tem a cota. mas nunca levo nem meia cota. Então o que pude comprar com todo o dinheiro que eu tinha, eu comprei. Daí eu fui fazer uma graça para o meu pai, entramos em um bar,  e eu para me aparecer lasquei em castelhano: - Buenos dias, senõr! O rapaz me respondeu: - Bom dia! Como é? Tu falas português? É que eu comprei esse bar semana passada! É brincadeira, tá de gozação para cima de mim! Viemos embora. Minha primeira viagem internacional durou 01 hora e 30 minutos mais ou menos. Bem a segunda e última viagem, internacional conto em outra oportunidade. Até a próxima postagem!

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