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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

BREVE RETROSPECTO DA NOVELA DO IMPEACHMENT DA PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF


   
http://www.scoopnest.com/pt/user/em_com/771039477594787840

O Senado Federal aprovou finalmente o impeachment de Dilma Rousseff, agora ex-presidente, hoje, dia 31/08/2016, quarta-feira, por 61 votos favoráveis e 20 contrários, por crimes de responsabilidade fiscal, contudo, ela não teve os seus direitos políticos suspensos. Sem nenhuma manifestação contra ou a favor de Dilma, penso que uma coisa leva por consequência à outra. Se Dilma foi condenada por um crime então deveria ficar ineligível por 8 anos. Como é que se pode aceitar ser condenada num fato e não no outro? Então, tenho que me render aos seus apelos de que tratou-se mesmo de um golpe.



   
http://www.facebookario.com/2015/06/Lula-e-petistas-apoiando-impeachment-de-presidente-do-Brasil-seria-golpismo.html

Se fizermos uma regressão no tempo, veremos que Dilma foi reeleita com 51,6% dos votos válidos ou seja, por mais de 54 milhões e 500 mil eleitores Veremos também que logo após as eleições de 2014, o país entrou em recessão. Ora, até as eleições tudo foi maquiado para que se vendesse a imagem de um país forte, houve aumento de valores dos programas sociais como o bolsa-família com recursos desviados de outros setores com o intuito somente de ganhar as eleições. Passado o pleito eleitoral fomos ver a real situação em que nos encontrava. Isso, hoje sabemos, que se deve as pedaladas fiscais e ao tal do plano safra, edição de decretos etc, sem passar pelo crivo do Congresso Nacional. Vejam que para dar um aumento aos funcionários públicos por exemplo, não basta que Dilma mande pagar pois isso terá sido contra lei. É necessário que passe pelo Congresso Nacional, daí volte para que ela sancionar ou vetar total ou parcialmente o projeto. Porém, esse procedimento de aumento dos servidores públicos por exemplo, é muito visado pela mídia, ao passo que o plano safra nem todo mundo conhece, o que é comprovadamente sabido que só agora tomemos conhecimento de tal plano justamente com o processo de impeachment. 

   
http://www2.planalto.gov.br/noticias/2015/06/com-r-187-bilhoes-governo-federal-lanca-maior-plano-safra-da-historia-do-brasil


Pois bem, com os bancos sendo obrigados a pagar a conta sem que o Governo saldasse sua dívida para com eles, aconteceu uma transferência de responsabilidade. Os pagamentos realizados fora do prazo resultaram também em milhões de juros o que, via de regra, sobra para quem vai tirar empréstimo no banco para tapar o rombo causado pelo próprio governo.  O banco estatal fez as vezes de Governo ao financiar os produtores rurais, o que não é esse o propósito. Banco é Banco, Governo é Governo. Não se pode misturar as coisas. No discurso de posse, a presidente Dilma, se todos ainda se lembram, afirmou que não se furtaria em buscar o ombro de Lula, seus conselhos quando precisasse. Abraham Lincoln, afirmou certa vez que se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder. A pessoa com poder e diga-se de passagem, com poder demais, chega a ponto de não precisar muito dessa história de conselho de ninguém. Ainda que muitas vezes possa ter tido conversas sobre esse ou aquele Ministro, com o Ex-Presidente Lula, não me parece razoável que assim tenha se sucedido durante todo o mandato de Dilma. Mas não só bastaria ter esse procedimento, e sim que também deveria ter sido aplicado. 

   
http://www.vermelho.org.br/noticia/277658-7

Lula é político, sabe como ninguém manejar os congressistas para obter o resultado esperado, Dilma não. Passada as eleições de 2014, logo em seguida, com a imagem do Brasil fragilizada em nome de uma crise econômica mundial, plantada por Dilma, ouviu-se o "gigante acordar" e ir às ruas, pedindo o fim da corrupção que até aquele momento nada tinha a ver com Dilma. Dilma foi vaiada na abertura da Copa do Mundo naquela época, eram os brasileiros todos que estavam ficando revoltados com a situação, afinal, como sustentar que uma crise internacional tenha atingido uma economia forte na América do Sul como a do Brasil, não ocorrendo a mesma coisa com as outras economias fracas de nossos vizinhos como uruguai, Argentina, Paraguai, Chile, Bolívia, Peru e Equador por exemplo? Que magia eles fizeram para que, tendo uma economia bem mais modesta do que a nossa, não entraram em crise tal como nós entramos? Hoje todos nós sabemos que trata-se de que lá nos outros países vizinhos, não houve as chamadas pedaladas fiscais.


   
http://www.portalfaustino.com.br/2015/veja-13-conselhos-que-lula-ja-deu-para-dilma-desde-a-reeleicao/

Nesse cenário sombrio que se transformava de caos em apocalíptico, finalmente Dilma buscou o ombro de Lula que por sua vez, vendo que a sua pupila não agia segundo os seus conselhos, procurou a mídia na tentativa de fazer com que a mensagem chegasse até Dilma por outras vias, limitando-se a indicar que quando a situação estivesse naquele alvoroço todo, era o ombro do povo que Dilma teria que buscar e não o do Congresso Nacional. Porém, Lula viu fracassado a sua intenção, pois Dilma nem buscou o Congresso Nacional e muito menos foi dar ouvidos ao povo. Ela em si mesma se autocompletava, era autosuficiente, não precisava mais de ninguém, nem mesmo de pessoas ligadas ao seu próprio partido o PT. Muitos parlamentares petistas reclamavam a Lula da intransigência de Dilma, mas fazer o quê. Lula não apitava mais nada. Surgiu a operação Lava Jato, comandada pelo juiz Sérgio Moro. Os longos tentáculos que se multiplicaram em tal opração fez com que, pelo menos um deles atingisse Lula. Um sitiozinho e um apartamentinho mesmo que seja triplex foram o alvo principal, coisa que qualquer vereadorzinho corrupto consegue. Não que eu considere certo essas benesses de empreiteras, mas convenhamos, Lula é ex-presidente, ou seja, muito mais que qualquer vereadorzinho, não posso deixar de fazer essa comparação. 


   
http://www.diariodobrasil.org/bilhoes-de-reais-jogados-no-lixo-pelo-pt-refinaria-da-petrobras-em-pasadena-eua-virou-sucata/

A compra pela Petrobrás de uma refinaria americana também teve a participação de Dilma, porém, ela não estava sozinha, muitos dirigentes não foram indicados pelo PT, e sim por outros partidos aliados do próprio Governo como o PMDB, o PSDB etc. Mas a intransigência, a prepotência de Dilma, o seu isolamento político acabou lhe atraindo diversos desafetos. Medir forças com um ou dois Ministros ou parlamentares é uma coisa, mas, medir forças contra um Congresso Nacional é outra, principalmente quando não se tem a maioria do seu lado. Então, por exemplo, Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados à época, que por não ter algum pedido de interesse particular sendo atendido por Dilma, optou por colocar em discussão as famosas pautas bombas. Sabia que o Governo naquele momento, devido a edição dos decretos, não tinha verba para saldar o aumento dos servidores do judiciário por exemplo, então votaram o que na mídia ficou conhecido como mais de 78% de aumento tendo passado por ambas casas do Congresso. 
 

   
http://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/04/entenda-o-processo-de-impeachment-da-presidente-dilma-rousseff.html

A batata quente foi parar nas mãos de Dilma que vetou tal aumento. O Congresso daí assinou embaixo, pois só queria demonstrar a sua força para a presidente Dilma. Então, o embate político se reduziu a Dilma-Eduardo Cunha. Um grupo de juristas de altíssimo nível, inclusive ex-fundadores do próprio Partido dos Trabalhadores, resolveram entrar em cena e protocoloram ação de impeachment de Dilma. Enquanto isso, na Operação Lava Jato, o líder do Governo petista na Câmara dos Deputados, Delcído do Amaral era denunciado, preso, e sem apoio do próprio Governo, resolveu soltar o verbo, e numa delação premiada acabou afundando mais ainda o governo da presidente Dilma que o chamou de traidor. Cunha finalmente é afastado depois de muitas manobras políticas, de muitos saltos duplo carpado. Por sua vez, Dilma, vendo que Lula esta sendo ameaçado até mesmo de prisão, resolve nomeá-lo Chefe da Casa Civil, para lhe dar status de Ministro com foro privilegiado, o que em suma, faz com que o processo da Lava Jato fosse julgado pelo STF inclusive tendo ministros nomeados por ele em seu governo, retirando assim das garras de Sérgio Moro. Esse foi para mim um erro crasso, pois Lula deveria ter feito parte do governo Dilma desde o início e não somente quando tudo já estava definido.


http://livramentomanchete.com.br/camara-aprova-prosseguimento-do-processo-de-impeachment-no-senado/

O processo de impeachment de Dilma é aceito na Câmara dos Deputados e logo é remetido ao Senado Federal que terá a decisão final sobre o futuro da presidente que fica afastada de suas funções. O Brasil para, nada é votado mais de maior importância. Pouco antes, Dilma para conseguir maiores recursos para o caixa do Governo, resolve ter uma grande idéia, a da aposentadoria aos 65 anos de idade. Mencionei aqui nesse espaço de que essa idéia que ela teve, não importava se seria ou não afastada definitivamente do governo, pois isso era uma  ótima sugestão para quem viesse no seu lugar. Agora vem ela com esse papo bobo dizendo que a ideia é do Temer, o que é mentira bastando uma simples pesquisa no google para saber a verdade. Então, Temer é levado ao poder interinamente a partir de maio desse ano. Nesse meio tempo, houve o processo de julgamento como outro qualquer, a não ser pelo número de testemunhas. Não houve cerceamento de defesa, o que houve foi uma defesa frágil, que só soube afirmar até o fim de que se tratava de golpe, mas isso, infelizmente não se pode aceitar como prova de defesa. Tem que se provar com contraprovas aquilo que se esta sendo acusado, o que não foi feito. 

   
http://sensoincomum.org/2016/05/13/se-voce-votou-13-confirma-voce-votou-em-michel-temer/
 
A afirmação de que se trata de um golpe contra os mais de 54 milhões e 500 mil votos que a reelegeu presidente  também não merece guarida, uma vez que boa parte desses votos também foram por causa de ter o Michel Temer como candidato a vice-presidente na sua chapa, foi um aliança política, ou seja, ela sozinha não conquistou esses votos todos e sim a sua chapa na qual fez parte o Temer. No momento em que Temer deixa o Governo Dilma, leva consigo também os votos que lhe foram confiados pelos seus eleitores, não se sabendo ao certo quantos foram, mas que com toda a certeza não se referem aos 54 milhões e 500 mil votos apontados por Dilma e sim, uma boa parte deles. Tabém não se trata de golpe uma vez que foi oferecida ampla defesa para a presidente Dilma, foi também o processo conduzido no Senado Federal pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Enrique Ricardo Lewandowski. 

 
 http://www.osul.com.br/afastamento-de-dilma-pode-livrar-michel-temer-da-lava-jato/

Na votação de hoje, era necessário 54 votos para que Dilma fosse destituída definitivamente do cargo de Presidente da República, porém, o placar foi ainda mais azedo, contabilizando 61 votos a favor do impeachment e apenas 20 contra. Na outra votação sobre a inegibilidade por oito anos, Dilma ganhou por 42 a 36 votos. Acontece que isso não será tão pacífico assim. Dilma poderá exercer qualquer cargo público. Mas a briga agora virou dentro do partido. Parte dos que votaram a favor do impeachment votaram contra a aplicação da pena de inegibilidade por oito anos sendo que muitos do próprio PMDB como Renan Calheiros. Membros do PMDB não gostaram dessa atitude e já surgiram comentários de que houve um acordão com Dilma para que lhe fosse poupado mais essa baixa. Michel Temer tomou posse logo em seguida, após a decretação da sentença.


   
http://www.giromarilia.com.br/noticia/brasil/moro-pede-desculpas-por-vazar-audios-de-lula-e-dilma-e-e-explica-grampos/5236

Agora vamos esperar para ver como reage o cenário político. Nem Lula, nem Dilma foram cassados, o que, por teoria, poderão vir novamente a concorrerem em uma mesma chapa à Presidência da República já em 2018. Quem viver verá. Até a próxima postagem!