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terça-feira, 6 de março de 2012

MINHA VIAGEM A MANAUS...DE BARCO, NUNCA MAIS!!!


No fim do ano de 1997, aproveitei que o meu pai estava me visitando e convidei-o para viajar para Manaus-AM de barco. Esse era o sonho dele desde criança: viajar pelo Rio Amazonas, Rio Negro e Solimões. Lembro-me que no dia em que fomos para Porto Velho-RO, estava muito quente, parece redundância dizer que o dia está quente aqui em Rondônia, mas esse estava mais quente que os outros. Chegamos no bairro Cai n'água, e logo descobri o  porquê desse nome.


O Rio Madeira estava baixo. Tinha comprado duas passagens, de ida e volta,  para Manaus-AM, iríamos em um camarote, com condicionador de ar, beliche, bem mais confortável do que as redes, e por isso mesmo, bem mais caro também. A notícia que eu recebia no momento da compra das passagens não me cheirava muito bem. Pois eram quatro dias para ir, e pelo menos cinco dias para voltar.





Apesar de Manaus-AM ficar ao norte de Porto Velho-RO, na verdade em se considerando a correnteza do rio Madeira, este "sobe" de Manaus-AM para Porto Velho-RO e isso então explicaria porque razão a volta demoraria mais do que a ida. Mas como eu estava de férias, qualquer prazer me divertiria, pensava eu! Então nos encaminhamos para o barco, o Ana Maria VIII, que viria  a afundar mantando toda a tripulação e alguns passageiros, alguns anos mais tarde.




Para chegar no barco tínhamos que descer uma ladeira bem íngreme, e por cima de umas tábuas soltas, caso se desequilibrasse certamente cairíamos dentro do Rio Madeira. A tábua que ligava a terra ao barco, passava por cima do rio, era a mais estreita e comprida de todas, do que a qual nós estávamos, um frio me passou pela barriga, meu pai já estava dentro do barco, enquanto eu ainda tentava vencer os meus medos. Mas consegui. Demos uma olhada no camarote, e era, a meu ver, diante daquelas circunstâncias, o que de melhor se poderia conseguir naquele exato momento. Então nos sentamos em umas das poucas cadeiras que ficavam no 3º andar do barco, e onde havia também o barzinho, que tinha uma TV com antena parabólica. Justamente nesse dia era o último capítulo da novela da globo, das 20 horas.  Ficamos a observar o movimento das pessoas.





Começou a entrar muita gente e enquanto chegavam, ao mesmo tempo já iam logo amarrando suas redes, no térreo do barco, e principalmente no 2º andar, onde também ficava a cozinha e a mesa de refeições. Tinha gente de tudo que é geito, gorda, magra, idosa, criança, casados, solteiras, feias e bonitas, simpáticas e carrancudas. É claro que nós, eu e meu pai, começamos a fazer amizades com as pessoas dali. Então, notei que também descia a ladeira dois  caminhões desses Bi-Trem, carregados de melancia, foram duas cargas completas, de melancias, colocadas no porão do barco.




Antes de sairmos, ainda colocaram 03 automóveis e cinco motos, logo no 1º andar, onde ficava a entrada e saída do barco. Pensei que aquele barco nunca iria se mexer, tamanho peso que carregava. Pelos meus cálculos, deveriam haver entre 200 a 250 pessoas no barco, não sei precisar quantas toneladas de melancia havia no porão. O barco começou a andar, e em pouco tempo já parava para a fiscalização da Marinha do Brasil!!!




Eu vi lá de cima, quando o capitão ou dono do barco entregou um monte de dinheiro para o marinheiro ou sei lá quem era, só sei que estava de branco, com aquele quepe da marinha, até pensei que fosse uma espécie de pedágio!! Mais uns minutos e passou alguém por mim com uma prancha,  em que haviam várias anotações em um formulário. Pude notar que no tal formulário constava o número de 50 pessoas, enquanto visivelmente se via um número pelo menos cinco vezes mais. Então, eles se despediram, e nosso barco tomou o rumo de Manaus-AM.




Gosto muito de carne, apesar de ter nível alto de ácido úrico, mas  peixe para mim é também uma fascinação. Logo, fiz amizade com o cozinheiro do barco, qual era meio florzinha, mas é ele lá e eu cá. Devemos sempre colocar o respeito acima de tudo e, em todas as ocasiões, assim ensinou-me os meus pais. Eram 19 horas e já estava começando a novela das 20 horas. Meu pai sempre foi um noveleiro de carteirinha, não perdia um capítulo e não iria perder aquele, o último.



O Rio Madeira tem muitas curvas, e para azar de meu pai, quando o barco virava em uma curva dessas, a parabólica saía de sintonia e não se podia ver nada. Ele não conseguiu ver o último capítulo da novela. Era hora da janta. E lá fomos nós. O cardápio era basicamente peixe, com uma farinha que dizem ser a melhor da região e que vinha da cidade de Cruzeiro do Sul-AC.


Essa farinha, eu vou descrevê-la, para quem não conhece. Não sei de onde é que eles me dizem que é a melhor farinha do mundo, eu só gostaria de ver então a pior. Tinha umas pelotas grandes de alguma coisa dura, diziam que era macaxeira, para mim era ferro mesmo. Não entendo bem os idosos, eles com aquelas dentaduras rezam para se ter uma comida bem ralinha para não dificultar muito a mastigação. Mas quando vêem essa farinha,  ficam loucos, eles dizem que é melhor etc e tal. Não sei se eles dizem isso para disfarçar, ou se eles gostam mesmo. Explicaram-me que as pelotas iriam desmanchar no caldo do peixe. Mas não foi isso que eu vi, nem caldo, nem água, nem martelo podiam desmanchar aquelas pelotas. Teve um que me olhou com a cara muita brava quando eu não consegui mastigar a praga daquela pelota, resolvi cuspir fora, lá dentro do Rio Madeira. Era como se eu tivesse humilhando a comida dos nativos, pensei!!


Fiquei muito surpreso quando vi canos com chuveiros dentro dos banheiros, como pode o homem ser tão inteligente?  Pensei.


As meninas mais bonitas de todo o barco deveriam ter no máximo uns 13 anos, eram 03 meninas. Mas não precisava ser muito inteligente para notar que elas eram mulheres dos tripulantes, na faixa dos 50 anos. De qualquer forma nunca vi qualquer contato físico mais íntimo entre eles que me motivasse a tomar alguma providência, a não ser que é claro, que dormiam na mesma cabine do capitão.


Com aquelas redes todas ali, era difícil até de se passar entre elas, para se dirigir ao banheiro. E de noite era um tal de rala e rola que dá gosto!! O pessoal das redes não usavam a cozinha, qual era somente para os dos camarotes e também da tripulação. O pessoal das redes se viravam como podiam, levavam bolachas, galinha com farofa etc. Então chegou a hora de dormir. Felizmentes com o movimento do barco, não haviam mosquitos chatos, me refiro aqueles malditos piuns, que quando me mordem, deixam um vergão com uma pequena gota de sangue que coça para caramba e quanto mais se coça, mais dá vontade de coçar. Nesse pondto eu estava tranquilo.


O ruim era o calor mesmo. Eu como todo mundo já sabe, sou obeso e suo bicas d'água. Resolvi com meu pai que ele sendo mais leve, ficaria na parte de cima do beliche e eu na parte de baixo. Não havia condicionador de ar propriamente dito, mas sim um cano desses de fossa em PVC bem grosso que conclui eu, vinha da cabine do capitão.


Comecei a dormir feito um anjo, pois o dia tinha sido bem cansativo. Lá pela madrugada, acordei suando. Não pode ser, será que acabou a energia? Então fui diligenciar para ver o que tinha acontecido, para minha surpresa, meu pai, que é um friolento nato, tampou o buraco daquele cano por onde vinha o ar gelado da cabine do capitão, com suas cuecas!!! Pode? Eu só ouvia os roncos de meu pai!! Ele estava dormindo em sono profundo! E não deu outra.


Eu puxei as cuecas dele, ou seja, do buraco do cano de PVC, com um pedacinho de arame, e logo em seguida,  voltou a ficar fresquinho aquele camarote. Eu estava ainda acordado quando  meu pai começou a espirrar, era um espirro atrás do outro. Então ele sentiu frio. E viu que alguém, ou algo, havia tirado suas cuecas do tal buraco, e tornou a colocá-las lá. Assim foi a minha ida e a minha volta, durante exatamente 09 dias, 04 dias para ir, e 05 dias para voltar, esse foi o meu ofício, retirar as cuecas do buraco do condicionador de ar, ou seja, do cano de PVC. Em uma oportunidade, fiquei com vontade de ir ao banheiro, tirar uma água do joelho, e teria que passar por aquelas redes todas.


Atrasei o que pude, mas teve uma hora que não deu mais para segurar, e sai no corredor. Para meu espanto tinha rede amarrada ao comprido  do barco, também no corredor. Para passar pela primeira rede tive que me abaixar, mas como tenho uma barriga muito grande, aquela posição não conseguiria aguentar por mais de dois passos, pois comprime o meu abdome e eu fico sem respiração. Acreditando já ter vencido a rede, resolvi voltar para a posição vertical. Para desespero da pessoa que estava ali, dormindo, naquela rede, eu ainda estava bem no meio, e ao me erguer, levantei também aquele que estava dormindo na rede, ele se assegurou, quase que eu jogo-o dentro do Rio Madeira de madrugada com essa ação.


Ele estava mais branco do que os lençóis lavados com omo. Tinha acordado ele no meio de seu sono e ainda por cima quase o matei. Pedi desculpas. Fui ao banheiro, me aliviei. Fiquei ali um tempão. Agora teria que voltar. Resolvi dessa vez engatinhar por baixo daquela rede, sujei meus joelhos com alguma coisa molhada no chão. Voltei a erguer-me com muita dificuldade, e notei que a rede estava vazia, pois o coitado estava fumando um cigarro lá na proa do barco. Voltei a dormir. No outro dia a rotina foi a mesma. Era céu, mato, e rio. Outro dia era rio, mato e céu, e assim foram os 09 dias.


Há muitas comunidades ribeirinhas ao longo do Rio Madeira. O barco possui uma voadeira, que ia amarrada, a qual é acionada toda vez que lá longe, na margem, alguém sacode uma toalha, ou um lençol, isso é a senha para ir lá buscar mais um passageiro, já que o barco não pára nunca. Teve uma manhã que faltou água mineral, ou seja, um desses garrafões de vinte litros no bebedouro do barco. Muitas pessoas já haviam reclamado. Perguntei a um membro da tripulação quando eles trariam água para beber. O rapaz me assegurou que dali há uns 20 minutos eles iriam passar por um armazém e então lá comprariam água. Fiquei só de olho!


Como prometido, passado uns vinte minutos, havia um braço no leito do rio que fazia uma bifurcação e se desenhava uma curva qual não se podia observar nada mais. A voadeira saiu com uns 02 galões de água. Não demorou muito e logo estavam de volta, com os galões cheios, os quais foram colocados no bebedouro. Mas a cor da água daquele garrafão do bebedouro era muito escura. Aquilo não era água mineral coisa nenhuma, nem aqui, nem na China. Deveriam ter abastecido com a água barrenta do Rio Madeira mesmo. Comentei isso com umas pessoas ali, e eles me disseram que é sempre assim, e que se eu estivesse descontente então que eu trouxesse água de casa da próxima vez.


Apesar de tudo, eles foram muito simpáticos comigo! Para quê brigar? Azar! Vai essa água mesmo! Paramos em Manicoré-AM, lá ficou a carga de melancia. Como tinha muitos galhos de árvores pelo rio, um desses deve ter feito com que empenasse a hélice do barco. Os rapazes da tripulação pularam naquela água barrenta, onde não se enxergava nada, e com martelos, usando somente o tato para se guiar, batiam daqui, batiam dali e assim consertaram a hélice. Um peixe, o candiru, fez um buraco no braço de um dos rapazes que consertou a hélice. Conclui então que o Candiriru não somente entrava em qualquer buraco do corpo humano, como ele próprio também fazia buracos. Chegando em Manaus-AM o barco foi para as corredeiras ou seja o estaleiro, para ser consertado definitivamente. Os carros foram embora e todos desembarcaram. Só ficou eu e meu pai.


O barco então ficou alto do chão. Nessa ocasião até a tripulação tinha ido  almoçar,  para casa etc, enquanto que os mecânicos ficaram mexendo no barco. Não estava funcionando também  a cozinha e nem os banheiros. Quando me apertei e fui ao banheiro, observei um buraco no chão onde eu podia vê-los trabalhando lá embaixo os quais me pediram para que não usasse o banheiro, senão eu iria fazer a bobiça sobre eles. Bem, havia  ali uma latas de leite ninho vazia e foi esse o meu banheiro. Estava também com muita fome, e havia lá embaixo pessoas vendendo pastéis, refrigerantes e etc.


Mas era muito alto eu nunca desceria dali. Meu pai tomou coragem e aqueles homens fizeram para ele um espécie de elevador e o desceram por uma corda. Olharam na minha direção e disseram agora é a tua vez! Tem cem anos para eu ir naquela corda, e o meu peso? E se a corda não aguentasse? Meu pai mandou para mim, também por uma corda, uns pasteís e uns refrigerantes. Bem depois ele subiu novamente por uma corda, pois ele estava sozinho. E de nada adiantava ficar com raiva etc, eu não iria descer e ponto final. Então finalmente a porra daquele barco é consertado.


Quando chega no porto de Manaus-AM, simplesmente não há lugar para atracar, há tantos barcos que uns ficam amarrados a outros, e tem que se andar por sobre umas tábuas de um barco até outro, até chegar em solo firme. Mas como eu não tinha mais saco para ficar ali, agarrei coragem. Se morrer, azar, já vivi muito, pensei, coloquei uma perna sobre o cercado do barco, e agarrei uma pia de um outro e essa se soltou, mas quando isso aconteceu eu já estava mais de 80% do lado de lá, então tive que passar ainda por uma tábua, onde uma mulher, qual foi a primeira a passar na minha frente, me ajudou.



Quando meu pai me procurou não podia acreditar que eu já estivesse em terra firme. Fomos direto para um hotel que se chamava Dona Joana. Finalmente uma cama macia,  grande,  um banheiro digno, sabonete, toalha, aquilo era o paraíso. De manhã fomos visitar a Zona Franca de Manaus-AM, só via isso nas etiquetas das coisas que eu sempre comprava, jamais podia imaginar que um dia eu iria conhecer a Zona Franca de Manaus-AM.



Comprei uma TV de bolso para minha mãe. E uns perfumes. Quanto aos perfumes aconteceu o seguinte: Um homem chegou em mim e me ofereceu cinco vidros de perfumes importados por R$100,00, eu disse que não queria. Entramos em uma rua e lá vem aquele sujeito de novo,: - Olha em faço um desconto R$50,00 pelos cinco perfumes. - Não! Foi a minha resposta.



Ele chegou ainda em nós, em mim e no meu pai, mais umas duas ou três vezes, sendo que na última tornou a me dar desconto, desta vez ele me fazia os cinco perfumes pela bagatela de R$5,00. Passa para cá. Fiquei contente tinha realizado um excelente negócio! Quanto orgulho de mim mesmo!! Hora do almoço, a primeira churrascaria que vi foi a tal de Búfalo, pertencia a um também gaúcho, nunca tinha visto coisa igual, a costela vem em um tipo de carrinho de mão, só para se ter uma ideia do tamanho da costela. Almoçamos, depois pegamos um taxi, passamos em frente ao Teatro Amazonas e já fomos novamente para nosso barco. 



A mesma história se repetiu, não há necessidade de contar tudo outra vez na volta. De novo, só o fato de que eu nunca mais irei viajar de barco em todo o resto de minha vida. Para terminar, dei quatro vidros de perfume para minha mãe, ela gostou. Fiquei com um. Levei o meu  para o serviço, para alguma emergência, sei lá, caso precisasse lá estaria ele. Então um belo dia, tocou o telefone bem perto de onde eu estava, e um colega meu, doido, só pode, soltou um peido daqueles, bem fedorento quase no meu rosto.


Aquele fedor infestou toda a sala. Havia uns 06 colegas naquele ambiente. Então corri para o banheiro, peguei aquele perfume que tinha trazido de Manaus-AM, e pensei, é esse o momento de usá-lo, e borrifei-o sem parar naquela sala onde o colega tinha peidado. Para tentar interromper a ação do peido de meu colega, ou seja, aquele odor de rabanete em conserva. Então meus colegas por unanimidade, me ordenaram que era para eu parar de borrifar aquele perfume, pois era muito fedido. Foi aí que eu lasquei. - Vocês reclamam do aroma de meu perfume, e nem se importam com o fedor do peido do colega? O meu perfume é mais fedorento do que o peido dele?  Pois é, a vida tem disso. Até a próxima postagem!